O município de Penápolis recebeu nesta semana a visita da pesquisadora Dra. Laura Martins de Carvalho, enviada pelo Instituto JUS – Instituto para o Desenvolvimento de Inovações Tecnológicas, Sociais, Gestão de Políticas Públicas e Justiça Social, a fim de conhecer e estudar o projeto “Hortas Comunitárias” de Penápolis, considerado uma política pública de sucesso que tem beneficiado a comunidade local há mais de 40 anos.
Com o tema “Hortas Comunitárias e Segurança Alimentar em Penápolis”, o estudo de caso proposto em parceria entre o Instituto JUS, Unicid (Universidade Cidade de São Paulo) e USP (Universidade de São Paulo), investiga a trajetória sócio-histórica das hortas comunitárias urbanas de Penápolis, desde sua implantação em 1983 até o presente, articulando políticas públicas, segurança alimentar e experiências dos horticultores.
Para a realização de sua pesquisa, a cientista social Laura Carvalho, que também é Dra. em Saúde Global e Sustentabilidade e Mestra em Meio Ambiente e Desenvolvimento, permaneceu em Penápolis no período de 18 a 22 de maio, efetuando um levantamento bibliográfico e documental sobre o assunto, entrevistas com horticultores e gestores públicos, além de observação in loco nas Hortas Comunitárias da cidade.
Como produtos de sua pesquisa, serão produzidos dois artigos científicos, um vídeo, um relatório para gestores públicos e uma cartilha para ser compartilhada com os coordenadores das hortas.
“O objetivo é compreender como Penápolis construiu uma experiência relevante de hortas comunitárias, quem participou desse processo, quais aprendizados ficaram e como essa memória pode contribuir para políticas públicas atuais e futuras”, comentou Dra. Laura Carvalho.
Alimento e Afeto
Como encerramento de seu trabalho em campo, a Dra. Laura Carvalho apresentou na manhã desta sexta-feira, 22, alguns resultados da pesquisa realizada durante essa semana. Em sua opinião, o projeto possui grande relevância para a comunidade, sendo inclusive, um referencial a ser exposto para o Brasil e o mundo. De acordo com a pesquisadora, as hortas comunitárias de Penápolis constituem uma política pública territorializada, com impacto alimentar, social, terapêutico e educativo.
“As hortas urbanas não produzem somente alimentos naturais, mas também vínculo, memória, saúde, pertencimento e sentido de vida. Por isso é importante que o projeto seja reconhecido como uma política intersetorial, que envolva as áreas da saúde, educação, segurança alimentar e memória pública”, considerou.
Durante as visitas e entrevistas com os munícipes que possuem canteiros nas hortas comunitárias, a pesquisadora identificou que as mesmas não são apenas espaços de produção de alimentos saudáveis. Os relatos pessoais destacam as hortas como espaço de convivência e amizade; saúde mental e terapia; ocupação do tempo; pertencimento e apoio mútuo; memória rural e troca de saberes; envelhecimento ativo e acesso ao alimento natural.
“Muitas pessoas chegam às hortas em situação de solidão, depressão, adoecimento ou ociosidade, e encontram nesses espaços uma rede de convivência e cuidado”, analisou a pesquisadora.
Impacto social
Segundo dados levantados no trabalho de campo, o projeto Hortas Comunitárias, gerido pela Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente, da Prefeitura de Penápolis, evidencia um grande impacto social no município. Atualmente, o projeto conta com 46 hortas comunitárias em funcionamento, atendendo cerca de 1.100 famílias e aproximadamente 8.000 pessoas beneficiadas. “Tendo em vista que o município de Penápolis possui 64 mil habitantes, os dados indicam que as hortas comunitárias alcançam cerca de 12,5% da população, direta ou indiretamente, com acesso a alimentos naturais, frescos e produzidos localmente. Além disso, a produção gera economia para as famílias (que não precisam comprar hortaliças no mercado), alimentação saudável e qualidade de vida”, acrescentou Laura Carvalho.
A pesquisadora também aponta alguns desafios a serem superados e ações que podem potencializar o futuro das hortas comunitárias, como por exemplo: aproximar os alunos e a juventude das hortas por meio de educação ambiental e formação prática; articulação para uma política pública intersetorial voltada ao projeto e uma melhor organização do acervo institucional, preservando a memória e a história dessas políticas públicas.
Secom – PMP